Aécio presidente: 2014 começa agora

Aécio presidente: jogo de 2014 começa agora. Senador diz agora estar disposto em ajustar agenda para compromissos em 17 cidades no 2º turno.

Aécio: presidente 2014

Fonte: Valor Econômico

Aécio vai a 17 cidades e busca aproximação com o PSB

Aécio Neves em campanha: para presidente do PSDB mineiro, Marcus Pestana, o jogo de 2014 começa agora.

 Aécio presidente: o jogo de 2014 começa agora

Aécio: presidente 2014

Depois de eleger seu candidato em Belo Horizonte no primeiro turno e rodar o país nas campanhas de seu partido, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) diz agora estar disposto em ajustar sua agenda para compromissos em 17 cidades. São locais onde o PSDB disputa o segundo turno e onde, em alguns casos, tem até agora pouco peso político.

O mapa tucano inclui três capitais no Norte (Rio Branco, Manaus e Belém); três no Nordeste (Teresina, São Luís e João Pessoa, além de Campina Grande), duas no Sudeste (Vitória e São Paulo, além de cidades do interior paulista) e no Sul, Pelotas (RS) e Blumenau (SC). “O senador vai montar uma agenda para, na medida do possível, viajar para essas cidades”, diz o secretário-geral do PSDB nacional, o deputado federal, Rodrigo de Castro (PSDB-MG).

Aécio já disse que está disposto a tomar parte das campanhas dos candidatos que acharem que ele agrega votos. Em São Paulo, José Serra e ele tiveram algumas conversas durante o primeiro turno, mas na segunda fase da campanha não estava até ontem definido se o senador participará da campanha. Os dois estiveram dividiram o partido nas eleições presidenciais de 2010, quando Serra saiu como candidato.

Mais provável nome do PSDB para disputar contra Dilma Rousseff a Presidência em 2014, Aécio teve em Belo Horizonte sua vitória mais importante no primeiro turno das eleições. O prefeito Marcio Lacerda (PSB), lançado pelo senador em 2008 e reeleito agora, poderá ser uma peça importante para sua estratégia.

Os tucanos ligados ao senador veem como uma vantagem Lacerda estar no PSB, partido presidido pelo governador do Pernambuco, Eduardo Campos. O governador também é visto como possível candidato a presidente. A vantagem, no cálculo do PSDB mineiro, é que BH poderá abrir caminho para um eventual apoio de Campos à candidatura de Aécio em 2014 em troca de o PSDB apoiar Lacerda nas eleições para governo de Minas no mesmo ano.

Não é de hoje que Aécio e Campos mantêm um diálogo fácil e a vitória de Lacerda – atribuída muito mais ao tucano do que a Campos – tende a azeitar ainda mais as conversações, segundo os tucanos de Minas.

O PSB é partido da base do governo Dilma. Mas é claramente um dos que estão na mira do PSDB para conversas sobre eleições presidenciais. “O nosso poder de atração vai aumentando à medida que as eleições forem se aproximando”, diz Castro. PP, PTB, PSB e também o PMDB – do atual vice-presidente, Michel Temer — são legendas citadas pelo deputado como exemplos das que os tucanos pretende maior aproximação.

“O jogo para 2014 começa agora”, diz o presidente do PSDB de Minas, o deputado federal Marcus Pestana. Na avaliação de Pestana, novembro e dezembro ainda serão um período de balanço e planejamento para começar 2013 com ações prontas para as eleições presidenciais.

Castro e Pestana falam que entre as prioridades e desafios do senador agora estão relacionados ao desempenho da oposição no Congresso, tendo o tucano como protagonista; a estruturação de um projeto nacional que empolgue eleitores nacionalmente; a inclusão de novas bandeiras, como a do meio ambiente, como uma das marcas do partido; na materialização dessas ideias no nome de Aécio e na atração de outros partidos.

“O desafio dele não está mais em Minas, está no restante do país e para isso ele terá uma estratégia nacional para conquistar corações e mentes”, diz Pestana.

Aécio: presidente 2014 – Link da matéria – http://www.valor.com.br/eleicoes2012/2860376/aecio-vai-17-cidades-e-busca-aproximacao-com-o-psb

José Serra: prefeitura de S.Paulo é um ‘grande desafio’

José Serra: em entrevista a O Estado de S.Paulo o tucano dispara comenta sobre as eleições 2012 e diz que 2014 não está nos planos.

José Serra: Eleições 2012

José Serra: Eleições 2012

José Serra nas Eleições 2012

Fonte: Alberto Bombig, Bruno Boghossian – O Estado de S.Paulo

‘SOU CANDIDATO PARA IMPEDIR DESCONTINUIDADE DRAMÁTICA EM SÃO PAULO’

Tucano diz que ‘gosto’ e ‘necessidade política’ motivaram sua décima candidatura

A cinco semanas da convenção que vai oficializar sua candidatura à Prefeitura de São Paulo pelo PSDB, o economista José Serra, de 70 anos, ainda seca as feridas de sua última disputa nas urnas, quando foi derrotado por Dilma Rousseff (PT) na eleição presidencial. Ele reconhece o peso do ex-presidente Lula no processo e assume a frustração: “Eu entrei efetivamente com a expectativa de vencer e perdi”.

O tucano ainda dispara uma infinidade de dados sobre “problemas nacionais”, mas passou a coletar números sobre a capital paulista e diz estar pronto para sua décima disputa em 26 anos. “Eu não sou dependente químico de eleição, mas eu gosto de campanha.” Na quinta-feira, Serra recebeu o Estado em sua casa para uma entrevista exclusiva, na qual defende a gestão de Gilberto Kassab (PSD), e diz que sua campanha de 2010 influencia decisões do governo Dilma. “Cópia, se bem feita, é uma virtude.” Segundo ele, voltar a disputar a Presidência em 2014 não está nos planos.

Depois de ser prefeito, governador, senador e ministro, por que tentar voltar à Prefeitura agora?

Criou-se uma necessidade política, no âmbito do partido e de aliados, de ter uma opção forte para a Prefeitura. E por gosto, porque é algo que me agrada bastante. São Paulo é uma cidade com receitas de município e problemas nacionais. É sempre um grande desafio.

Que motivação política foi essa?

É importante ter uma opção com grande chance de vitória e impedir uma descontinuidade dramática nos rumos da cidade. Levo em conta que, nos últimos oito anos, nós arrumamos São Paulo do ponto de vista fiscal. É claro que os problemas continuam, mas o fato é que é muito importante manter São Paulo no rumo, e numa articulação estreita com outra prefeitura, que é o governo do Estado.

A solução para o trânsito de São Paulo está apenas no transporte sobre trilhos?

O problema da mobilidade na cidade jamais será equacionado, o que não significa que a gente não possa melhorar. São Paulo tem que ter uma teia de aranha de trilhos por baixo da cidade. Isso não desmerece a importância de obras viárias e corredores de ônibus, mas sempre tendo em mente que o ônibus tem, em última análise, que servir ao transporte de trilhos.

A Prefeitura pode resolver o problema da cracolândia no centro da cidade?

São duas questões. Uma é o fenômeno da droga, que está relacionado ao contrabando. As fronteiras abertas para o tráfico levam a uma capacidade de oferta da droga a preços baixos, o que é desastroso. Isso está fora do âmbito da cidade e mesmo do Estado, até certo ponto. É uma tarefa federal, onde não se teve avanço nenhum nos últimos anos. As outras dimensões são a educação e o tratamento. É preciso desenvolver com relação ao crack uma campanha educacional mais intensa da que fizemos contra o cigarro. O governo federal é hesitante.

O senhor pretende aplicar o modelo das organizações sociais (OS)?

A OS não é um modelo para toda a saúde. É um modelo para certas unidades e funciona bem. A saúde continua sendo o assunto número um e o aspecto mais chocante é o encolhimento relativo do governo federal, que chegava a cobrir 60% das despesas com fontes federais e hoje se aproxima de 40%. Em São Paulo, de 2004 a 2012, o orçamento mais que triplicou. Do ponto de vista quantitativo, a saúde deu saltos.

A pesquisa Ibope desta semana mostra alta rejeição do prefeito Gilberto Kassab. Qual a sua avaliação da gestão?

Acho que é uma boa gestão e que o fato de ele ter se envolvido na criação de um partido criou para alguns a sensação de que ele estava desligado da cidade. Digamos: você está num engarrafamento de trânsito e liga o rádio, que diz: “Gilberto Kassab esteve em Alagoas vendo a questão do PSD e tal”. Você fala: “Eu aqui no trânsito e o prefeito cuidando de partido”. Mas é uma sensação, porque, de fato, o Kassab trabalha muito na administração da cidade. Ele deu continuidade à nossa gestão e tem realizações positivas.

Sua própria rejeição (35%, segundo pesquisa do Ibope) o preocupa?

Não. Eu avalio que minha rejeição é normal. Eu sou o mais conhecido e as pessoas têm uma posição mais definida. Eu acabei de disputar uma eleição presidencial: todo mundo me conhece, eu ganhei aqui no 1.º e no 2.º turnos, mas foi uma eleição dividida.

O sr. acredita que já ganhou a eleição?

Não, de forma nenhuma. Todo político que disputa eleição tem de ser um pouco paranoico. Se não for, perde. Todo político tem que olhar a eleição com humildade e achar que não é fácil. Eu me lembro de uma história do Juscelino (Kubitschek), que é verdadeira. Ele era capaz de parar numa estrada para ver um eleitor. Eu faço isso. Eu às vezes paro por causa de uma pessoa. Cada voto é um voto. Além do que, eu tenho gosto também nisso. Eu vou dizer a vocês: eu não sou dependente químico de eleição, mas eu gosto de campanha eleitoral, principalmente do contato com as pessoas.

Padrinhos políticos como a presidente Dilma entrarão na campanha?

Eu acho que os políticos nacionais vão procurar influenciar a campanha em São Paulo, principalmente do lado do PT. Mas outra coisa é a influência que isso possa ter. A influência eleitoral é sempre menor quando é fora do âmbito da esfera de governo da personalidade política. Se você é presidente, influencia mais na eleição para presidente. Se você é governador, idem, e, se você é prefeito, idem. Mas essa influência vai ser exercida, eu não tenho dúvida nenhuma. Se for dentro de certos padrões de decoro, é normal.

O sr. acha que o debate sobre costumes (religião, aborto, casamento gay) deve fazer parte da campanha?

A minha questão não é se deve ou não deve. A minha questão é que a própria imprensa e os próprios setores da sociedade interessados nessas questões as introduzem na campanha. E você não vai proibir. São questões de valores espirituais ou de ética que são postos. Não se trata de misturar religião com política. São coisas diferentes. Religião é opção individual, não é uma opção partidária.

Como o sr. reagirá, caso seja eleito prefeito, se em 2014 surgir um clamor para que o sr. se candidate à Presidência? Já pensou sobre isso?

Eu não pensei nisso porque eu estou com o propósito de me eleger prefeito e governar os quatro anos. Não creio que vá haver (um clamor).

Que avaliação o sr. faz de 2010?

É pouco tempo para avaliar. Eu entrei efetivamente com a expectativa de vencer e perdi. Tem eleições que eu não tinha uma expectativa tão forte de ganhar. O porquê, isso ainda vai ser debatido por muitos anos.

O partido se dividiu na disputa?

(Isso) não teve nenhuma importância. Pode ter tido uma ou outra frouxidão regional com relação à campanha, mas não teve dimensão para afetar o resultado. Efetivamente, quando começou o 2.º turno, havia um empate. No fim, eu acredito que o peso da popularidade do Lula foi decisivo. Isso é opinião mais superficial, que precisa ser analisada.

O senhor tem boa relação com o senador Aécio Neves (PSDB-MG)?

Com o Aécio? Tenho. Relação cordial. Eu não sou de conviver em situações de atrito, de levar uma relação na base do atrito. Boa parte das coisas que existem, aliás, é folclore.

O sr. ficou com alguma mágoa da campanha de 2010?

Não. Eu preferia ter ganhado, mas… Em eleição, você tem que ter um mínimo de preparação para assimilar resultados, porque a decisão não é você que toma. A decisão é das pessoas, milhões de pessoas. Pode parecer frase feita, mas faz parte. A derrota é um ingrediente importantíssimo de uma eleição quando você vai para a disputa. Por outro lado, eu acredito que, nas duas eleições (presidenciais), a minha campanha condicionou muito o próprio desempenho do governo posterior. Agora, muitas das coisas que o governo faz, sem dúvida nenhuma, foram resultado da minha campanha.

O sr. fala especificamente da política de juros do governo Dilma?

Juros, infraestrutura, mesmo a defesa da liberdade de imprensa… Uma série de questões variadas. Dar exemplos sempre é ruim. Sem dúvida nenhuma, o grosso das teses que nós defendemos em 2010 eram corretas e o governo incorporou muitas delas. É normal que isso aconteça. Eu não acho que, na vida pública, cópia seja plágio. Cópia, se bem feita, de maneira honesta e não eleitoreira, é uma virtude.

José Serra – Eleições 2012 – Link da entrevista: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,sou-candidato-para-impedir-descontinuidade-dramatica-em-sao-paulo-,872240,0.htm