Gestão da Saúde: Secretaria de Saúde lança Programa Estadual de Combate ao Câncer de Mama

A partir de agora, o controle do câncer de mama no Estado estará focado em três pontos chaves

Carlos Alberto/Imprensa MG
Antônio Jorge de Souza Marques destacou que 25% das mortes poderiam ser evitadas
Antônio Jorge de Souza Marques destacou que 25% das mortes poderiam ser evitadas

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) lançou, nesta quinta-feira (12), novas ações no controle do câncer de mama. A nova proposta está baseada em uma mudança no modelo de controle da doença.

A partir de agora, o controle do câncer de mama estará focado em três pontos chaves: ampliar a faixa etária prioritária para 45 a 69 anos, facilitar acesso à mamografia e agilizar a definição diagnóstica, com objetivo de iniciar rapidamente o tratamento do câncer de mama. Como consequência, espera-se melhorar o prognóstico da doença nas mulheres mineiras.

Uma vez diagnosticado precocemente e tratado a tempo, o câncer de mama apresenta 95% de chances de cura. Apesar disso, a taxa de mortalidade da doença cresceu nos últimos anos em Minas Gerais. Em 2009, ocorreram 1.071 óbitos por câncer de mama e a taxa bruta de mortalidade foi de 10,6 óbitos por 100.000 mulheres mineiras. Para 2011, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que serão 4.250 mulheres com a doença e a taxa bruta de incidência será de 41 casos novos por 100.000 mineiras.

“Cerca de 25% das mortes poderiam ser evitadas. As taxas elevadas são, muito provavelmente, a consequência de um diagnóstico tardio da doença, quando o câncer está em estágios avançados, dificultando o tratamento”, explicou o secretário de Saúde de Minas Gerais, Antônio Jorge de Souza Marques.

Segundo Antônio Jorge, o programa possui uma preocupação muito grande com a informação e a mobilização. “Os exames, o tratamento estão aí, mas é preciso que as mulheres saibam disso, conheçam os seus direitos. Por isso, a presença e a atuação dos meios de comunicação social são importantes. Precisamos mobilizar, convencer às mulheres a realizar o exame”, disse.

Roberta Zampete, apresentadora do programa Brasil das Gerais, da Rede Minas, convidada a falar em nome dos jornalistas presentes, disse acreditar no papel da imprensa como veículo de melhoria da vida dos outros. Isto porque, segundo ela, “o compromisso primordial da imprensa é em alertar às pessoas. Levar informações e divulgar direitos e comportamentos”.

Para a presidente da Instituição Flávio Gutierrez, Ângela Gutierrez, o mais importante é indicar os caminhos ao cidadão. “Precisamos sempre de iniciativas que alertem, que relembrem e que colaborem. O câncer de mama é uma doença que assusta, mas que pode ser vencida”, completou.

Experiências

Elza Figueiredo Coutinho conhece de perto a realidade de mulheres que tiveram a doença. Ela reconhece que o mais importante é acreditar que é possível viver após o câncer e tratar-se imediatamente.

“Minha bisavó, minha avó, minha mãe e eu tivemos câncer de mama. Todas nós lutamos contra o câncer, mas nenhuma morreu dessa doença. Todas morreram de velhice, e eu também só aceito morrer de velhice. Isso significa que podemos vencer a batalha”, contou.

Rosa Maria Abreu Duarte também vivenciou a luta contra o câncer. “É difícil acreditar que está acontecendo com a gente. Depois é difícil mais ainda crer que podemos nos curar. Mas eu sempre digo que nada na vida da gente acontece por acaso. Agora estou aqui para conscientizar às mulheres de que o que me salvou foi o diagnóstico precoce, foi fazer mamografia”, disse.

Segundo a presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Aline Chaves, o mais importante é conscientizar às mulheres sobre a prevenção. “O tratamento no estágio avançado é mais doloroso e tóxico para o paciente e é mais caro para o estado”, completou.

O presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia/Regional Minas Gerais, João Henrique Pena Reis, elogiou a estratégia inovadora do Governo de Minas, pois “a partir de agora, podemos falar em enfrentar a doença na linha de frente”, disse.

Desburocratização

Até agora, o acesso à mamografia de rastreamento é realizado por meio de uma requisição, que é entregue à mulher após uma consulta médica. A partir de agora, a mulher não necessitará mais ir previamente ao médico para receber uma requisição, e poderá solicitar um formulário em qualquer Estabelecimento de Saúde Pública, como as Unidade Básicas de Saúde (UBS) e Centros Viva Vida de Referência Secundária.

Segundo o secretário Antônio Jorge, a medida pretende desburocratizar o acesso às mamografias no Estado “A população de mulheres mineiras com idade 45 a 69 anos é de 2.397.315, destas 1.753.932 são SUS dependentes. Portanto, o impacto desta política será imenso. Todas elas terão direito a realizar o exame”, disse.

Diagnóstico facilitado

Após os laudos, os exames deverão ser enviados para a Unidade de Saúde de referência indicada na requisição. Para facilitar a definição diagnóstica do câncer de mama foi criado um sistema de classificação que estabelece o fluxo e a prioridade no atendimento das mulheres em função dos resultados encontrados.

Todos os resultados do exame de mamografia deverão, assim, ser disponibilizados com os adesivos informando a classificação do exame e o procedimento a ser realizado. Nos casos de diagnósticos que apresentam cerca 70% chance de confirmação de câncer de mama, as pacientes serão encaminhadas para as unidades Centro Viva Vida de Referência Secundária ou para outras unidades de referência.

Em casos de resultado benigno, a mulher deve ser orientada a realizar da mamografia semestralmente. Já aquelas que apresentarem resultado normal, serão orientadas a realizar a mamografia a cada dois anos.

“A estratégia de classificar os estágios da doença é importante para agilizarmos o início de tratamento da mulher com o câncer de mama. Hoje, 29% das mulheres que recebem um diagnóstico de câncer já o recebem em estágios avançado. O objetivo do programa é evitar isso”, explicou Antônio Jorge.

O presidente do Colegiado de Secretários Municipais de Saúde (Cosmes/MG), Mauro Junqueira, disse que o programa possibilitará que “as mulheres tenham acesso ao tratamento logo que descobrirem a doença, pois isso será determinante no processo de cura”.

O presidente da comissão de saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Carlos Mosconi, também elogiou a iniciativa. “É uma política altamente favorável, inovadora e moderna”, finalizou.

Fonte: http://www.agenciaminas.mg.gov.br/noticias/secretaria-de-saude-lanca-programa-estadual-de-combate-ao-cancer-de-mama/

Gestão Antonio Anastasia: interiorização de serviços estaduais de saúde salvam 1.000 vidas por ano no Norte de Minas

Hospitais de cinco municípios da região já fazem procedimentos de urgência e emergência, antes disponíveis apenas em grandes centros
José Carlos Paiva/Secom MG
Os centros Viva Vida e Hiperdia de Brasília de Minas contam ainda com moderna clínica de fisioterapia
Os centros Viva Vida e Hiperdia de Brasília de Minas contam ainda com moderna clínica de fisioterapia

Os investimentos que o Governo de Minas vem realizando na interiorização dos serviços médicos de alta complexidade têm transformado a realidade do atendimento da população do Norte de Minas. Com a implantação de redes assistenciais de urgência e emergência – que envolvem equipes do Programa Saúde da Família (PSF), Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), Serviço Móvel de Urgência (Samu) e hospitais – estima-se que pelo menos mil vidas têm sido salvas a cada ano na região.

Com 86 municípios e aproximadamente 1,6 milhão de habitantes, o Norte de Minas historicamente teve a realização de procedimentos de alta complexidade concentrada na cidade de Montes Claros, polo de desenvolvimento regional. Nos últimos anos, porém, graças aos investimentos feitos pelo Governo do Estado, outras cidades da região também passaram a oferecer esses tipos de serviço. São os casos de Brasília de Minas, Pirapora, Salinas, Taiobeiras e Janaúba, que se transformaram em polos microrregionais de saúde.

Em decorrência dessa política de interiorização dos serviços de saúde, nos últimos nove anos o Governo de Minas financiou a implantação pioneira dos primeiros 40 leitos de UTI fora de Montes Claros e, anualmente, investe cerca de R$ 20 milhões na manutenção dos serviços prestados pelos hospitais das cidades contempladas. Além disso, mais de dois mil profissionais da região foram treinados para atender de acordo com o Protocolo de Manchester, que classifica a urgência de cada caso a partir de rigorosos protocolos clínicos.

Melhoria de indicadores

Os investimentos feitos pelo Governo de Minas já têm se convertido em resultados concretos. A Taxa de Mortalidade Infantil da região, por exemplo, baixou de 15,26 por mil nascidos vivos em 2008 para 13,83 por mil nascidos vivos em 2010 – uma redução de aproximadamente 10% em apenas 3 anos. Neste mesmo período, o percentual de gestantes que fazem sete ou mais consultas de pré-natal aumentou de 55% para 62% na região.

“Considerando a projeção de óbitos, tendo em vista a série histórica referente ao período até 2007, podemos afirmar que, com a implantação da Rede de Urgência e Emergência, cerca de 1000 óbitos tem sido evitados por ano no Norte de Minas”, estima Francisco Antônio Tavares Júnior, chefe da Assessoria de Gestão Estratégica e Inovação da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais.

Município virou referência regional

Um dos exemplos de mudança na prestação de serviços de assistência médica à população é a microrregião de Brasília de Minas que, a partir de 2007, recebeu investimentos na implantação de um Centro Viva Vida para atendimento de gestantes de alto risco, recém-nascidos de baixo peso, crianças vitimas de abuso sexual, tratamento de casos de asma, desnutrição e implementação de ações de prevenção contra o câncer de próstata e de colo uterino.

Em 2008, a microrregião de Brasília de Minas passou a contar também com o funcionamento de um Centro de Referência Secundária em Hipertensão e Diabetes (Centro Hiperdia). Além de prestar assistência especializada aos portadores da Diabetes Mellitus, o centro também atende pacientes com doenças renais crônicas, cardiovasculares e hipertensão arterial.

Com ações atreladas ao Programa de Saúde da Família (PSF),  por meio do qual a equipe de saúde faz a triagem e o encaminhamento de pacientes, o Centro Hiperdia Minas realiza em Brasília de Minas, uma média de 8.198 procedimentos pactuados na carteira. Atualmente, mais de 2.500 diabéticos recebem assistência do Centro Hiperdia Minas, o mesmo acontecendo com mais de 6.150 usuários com problemas de hipertensão de alto grau de risco cardiovascular.

Com abrangência de atuação em 16 municípios, os centros Viva Vida e Hiperdia Minas estão prestando serviços a uma população estimada em 237 mil pessoas, que antes só tinham condições de ter acesso a tratamento médico de alta complexidade em Montes Claros ou em outras cidades de maior parte do Estado.

Profissionais e serviços especializados

Após o funcionamento dos centros Viva Vida e Hiperdia, a necessidade de encaminhar pacientes da microrregião de Brasília de Minas para tratamento em Montes Claros reduziu consideravelmente, uma vez que a microrregião passou a contar com uma equipe multidisciplinar formada por 25 profissionais especializados nas áreas de psicologia, nutrição, fisioterapia e assistência social, bem como de equipamentos de última geração para a realização de exames.

Diariamente, médicos especialistas no tratamento de câncer, rins, mama e próstata trabalham nos centros Viva Vida e Hiperdia de Brasília de Minas que também contam com clínica de fisioterapia, laboratórios, salas para realização de exames e consultórios informatizados.

Gestantes de alto risco, recém-nascidos de baixo peso ou crianças com problemas de desnutrição são assistidos pelo Centro Viva Vida e  já saem das unidades com toda a assistência encaminhada, inclusive, se for o caso, com o fornecimento de alimentação especial providenciada. Além disso, os pacientes oriundos de outras cidades têm acesso a transporte gratuito e recebem lanche servido nas dependências dos centros.

“Além de facilitar e agilizar o atendimento médico, os investimentos que o Governo do Estado vem realizando nessa região têm oportunizado o diagnóstico precoce de vários problemas de saúde enfrentados pela população”, afirma a gerente dos serviços de saúde que o Governo de Minas mantém na microrregião de Brasília de Minas, Érica França.

População destaca qualidade do atendimento

Morador do município de Ubaí, distante 42 quilômetros de Brasília de Minas, o oficial de serviços gerais Antônio Genésio da Silva diz estar muito satisfeito com o trabalho que o Governo de Minas tem implementado com a interiorização dos serviços de saúde. Na opinião dele, a instalação dos centros especializados de saúde na microrregião resolveu um problema antigo que a população enfrentava de acesso facilitado à assistência médica.

“Estamos mais perto dos profissionais e, com isso, não precisamos sair da região em busca de atendimento em outras cidades”, afirma Antônio Genésio. “Eu sou um exemplo disto. Como paciente da área de ortopedia, todas as vezes que procuro assistência tenho sido bem atendido”.

Outro morador que também se revela satisfeito com os investimentos realizados pelo Governo de Minas nos serviços médicos de alta complexidade da região é o aposentado João Pereira da Luz. Ele afirma que a implantação dos centros Viva Vida e Hiperdia em Brasília de Minas resolveu um sério problema que o “povo da região” enfrentava, no que se refere a atendimento médico.

“Antes éramos obrigados a viajar até Montes Claros, onde as dificuldades para acesso aos médicos sempre eram muito grandes. Agora, perto de casa temos a quem recorrer sem nenhuma dificuldade”, explica João Pereira.

A dona de casa Elizângela Pereira Ramos também elogia o atendimento recebido nos centros Viva Vida e Hiperdia. Moradora da Fazenda Raiz, em Brasília de Minas, ela conta que na época que esteve grávida do filho Luiz Fernando, de 3 anos de idade, obteve atendimento no Centro Viva Vida. E que, em novembro do ano passado, retornou à unidade levando o filho que passa por problemas de saúde. “Graças a Deus, não tenho nada a reclamar. Sempre fui bem atendida e avalio que os resultados do trabalho prestado à população é muito bom”, conclui a dona de casa.

Fonte: Agência Minas