Aécio sobre Lula: “ninguém pode tudo”

Aécio sobre Lula: “ninguém pode tudo” – senador disse que é muito grave um ex-presidente busca interferir numa decisão de um tribunal”.

Aécio Neves critica Lula

Aécio sobre Lula: "ninguém pode tudo"

Aécio sobre Lula: "ninguém pode tudo"

Fonte: Fernando Taquari e Cristiane Agostine – Valor Econômico

PSDB acusa Lula de gerar crise institucional

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) classificou ontem como grave a denúncia de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria tentado interferir no julgamento do mensalão . Principal nome do PSDB para a disputa presidencial de 2014, Aécio fez questão de frisar que “ninguém pode tudo, ninguém está acima da lei”.

“Felizmente, temos no Brasil instituições muito sólidas, que não me parecem abaladas por essa crise, mas acho que é muito grave, em um momento em que um ex-presidente busca interferir numa decisão de um tribunal”, disse o senador depois de participar, em Brasília, do encontro nacional dos pré-candidatos a prefeito do PSDB nas 100 maiores cidades do país.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou Lula de pedir para adiar o julgamento do mensalão em uma conversa na qual também teria participado o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim. Em troca, Lula teria oferecido proteção ao ministro do Supremo na CPI do Cachoeira, que investiga as relações do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos e empresários. Cachoeira está preso sob acusação de comandar uma rede ilegal de jogos de azar.

Apesar de enfatizar a gravidade da denúncia, Aécio manifestou confiança na capacidade da Corte de julgar o caso com “isenção e de forma técnica”. “Mas é um fato que, realmente, gera constrangimentos, especialmente para os aliados do ex-presidente”, acrescentou o senador tucano.

Em nota, o presidente do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra (PE), disse que a ofensiva de Lula contra o Supremo representa uma ameaça à democracia. “Vivemos um momento grave. Uma crise institucional. A democracia no Brasil está ameaçada. Lula e o PT ameaçam o STF e o procurador-Geral da República. Isso nunca aconteceu na história do país.”

O deputado também afirmou que o governo e PT usam a CPI para atacar o PSDB e lançar fumaça sobre o julgamento do mensalão, previsto para ocorrer este ano.

Na mesma linha, o pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, analisou ontem que a denúncia afeta a estabilidade das instituições no Brasil.

“Está tendo problemas entre as instituições, sem dúvida nenhuma”, comentou o pré-candidato tucano, ao participar de uma sabatina promovida pelo SBT e pelo portal Terra, em São Paulo. “Está tendo [uma crise institucional]. Essas coisas que estão acontecendo refletem problemas institucionais, inegavelmente”, reforçou Serra.

Ao falar sobre o caso, o tucano disse que “é importante” que o Judiciário não seja pressionado. “Vamos todos trabalhar para que [o julgamento do mensalão] aconteça e que seja um julgamento isento”, declarou Serra.

O pré-candidato evitou falar sobre a convocação do governador de Goiás, Marconi Perillo, seu correligionário no PSDB, para falar na CPI do Cachoeira. Serra afirmou que Perillo merecia “crédito” por já ter se disposto a falar na CPI e por ter pedido à Procuradoria-Geral da República para que o investigasse. Além de Perillo, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), também foi convocado.

Aécio Neves – Link da matéria: http://www.valor.com.br/politica/2684608/psdb-acusa-lula-de-gerar-crise-institucional

Lula teria feito ligação de Gilmar com Cachoeira

Lula em encontro com Gilmar teria dito que Cachoeira pagou ida do ministro do STF a Berlim. Jornal Nacional repercute reportagem da Veja.

Lula contra Gilmar

Fonte: Jornal Nacional

Lula nega que tenha sugerido adiar julgamento do mensalão

Uma reportagem publicada no fim de semana elevou a temperatura política em Brasília. A oposição pediu investigação.

Lula – Uma reportagem publicada no fim de semana elevou a temperatura política em Brasília. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que o ex-presidente Lula sugeriu que o mensalão fosse julgado só depois das eleições. O ex-presidente disse que está indignado. A oposição foi à procuradoria-geral da República pedir investigação.

Segundo a reportagem, no dia 26 de abril, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, teve um encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no escritório de Nelson Jobim, que foi presidente do Supremo e ministro do governo Lula.

Segundo a revista, Lula disse a Gilmar Mendes que o julgamento do processo do mensalão, antes das eleições de outubro, seria inconveniente. Ainda de acordo com a revista, Lula estaria tentando influenciar os ministros Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski.

De acordo com a Veja, Lula afirmou ainda que teria o controle político da CPI do Cachoeira e, em troca do apoio de Gilmar Mendes para atrasar o julgamento do mensalão, o ex-presidente teria oferecido blindagem ao ministro nas investigações do Congresso.

Lula perguntou a Gilmar sobre viagem a Berlim junto com o senador Demóstenes Torres. De acordo com a reportagem, há boatos de que a viagem teria sido paga por Carlinhos Cachoeira. Gilmar teria dito que vai com frequência a Berlim porque tem uma filha morando lá, e que tinha pago a viagem com recursos próprios.

Nesta segunda-feira (28), em Manaus, o ministro Gilmar Mendes confirmou o encontro com o ex-presidente.

“O presidente tocou várias vezes na questão da CPMI. Desenvolvimento da CPMI, o domínio que o governo tinha sobre a CPMI e tudo mais. Então eu disse a ele com toda franqueza: ‘Presidente, deixa eu lhe dizer uma coisa, parece que o senhor está com alguma informação confusa. Ou o senhor não está devidamente informado. Eu não tenho nenhuma relação, a não ser relação de conhecimento e trabalho funcional, com o senador Demóstenes’. E aí ele, um pouco, ficou assustado. E disse: ‘Mas não tem? E essa viagem de Berlim?’”, afirmou Gilmar Mendes.

O ministro confirmou também que Lula considerava inconveniente o julgamento do mensalão agora, mas que não houve um pedido explícito do ex-presidente para um adiamento:

“Não houve nenhum pedido específico do presidente em relação ao mensalão. Manifestou um desejo, eu disse da dificuldade que o tribunal teria. Ele não pediu a mim diretamente. Disse: ‘O ideal era que isso não fosse julgado’. Então eu disse: ‘Não, vamos torcer para que haja um julgamento, e é tudo que o tribunal quer, e essa é a minha posição em matéria penal, é muito conhecida.”

O ministro disse que ficou constrangido com o tom da conversa. “Nunca nós tivemos conversa desse tipo, e me pareceu realmente uma colocação absolutamente imprópria e indevida em todos os seus termos.”

O Instituto Lula confirmou, em nota, que a reunião existiu, mas que a versão dada por Veja sobre o teor da conversa é inverídica. “Meu sentimento é de indignação”, disse o ex-presidente sobre a reportagem. A nota segue afirmando que Lula jamais tentou interferir nas decisões do Supremo em relação ao mensalão e que nenhum dos oito ministros indicados por ele pode registrar qualquer tipo de pressão. Lula encerra dizendo que a autonomia e a independência do judiciário sempre foram rigorosamente respeitadas nos seus dois mandatos.

Na manhã desta segunda, quando esteve no Congresso, Nelson Jobim não quis comentar a reportagem. “Eu não vou falar mais sobre esse assunto, já está tudo certo, ponto”, disse.

No sábado, em entrevista ao blog do jornalista Jorge Bastos Moreno, do jornal O Globo, ele também negou que o conteúdo da conversa entre Gilmar e Lula tenha sido o que foi publicado por Veja e confirmado em parte por Gilmar Mendes.

No plenário do Senado, a reportagem virou tema dos discursos.

“Na verdade, houve uma tentativa patética de chantagear e cooptar um ministro do Supremo Tribunal Federal, valendo-se de uma suposta autoridade sobre uma Comissão Parlamentar de Inquérito instalada no Congresso Nacional”, declarou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), líder do partido.

O líder do PT na Câmara, o deputado Jilmar Tatto (SP), criticou a oposição. “Quando foi presidente da República, nunca fez isso. Por que faria agora? Quando teve poder, quando teve condições, nunca fez. Por que faria agora? Não tem sentido. Então, é totalmente descabido esse tipo de diálogo. Não faz parte da história do presidente Lula.”

Partidos da oposição e parlamentares considerados independentes assinaram uma representação pedindo que a procuradoria-geral da República investigue o caso. Os integrantes da CPI, no entanto, concordaram que o assunto não deve virar tema da comissão. O presidente da CPI, Vital do Rêgo, confirmou que vai seguir a agenda e colocar em votação nesta terça os requerimentos que pedem a convocação de governadores e a quebra do sigilo da Delta nacional.

Os ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski confirmaram que tiveram encontros com o ex-presidente Lula, mas negaram ter sofrido qualquer tipo pressão por parte dele.

Lula contra Gilmar -Link da matéria: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2012/05/lula-nega-que-tenha-sugerido-adiar-julgamento-do-mensalao.html

Governo do PT e a convivência com o malfeito

Governo do PT e a convivência com o malfeito – Sérgio Guerra questiona em artigo porquê o PT tem interesse em blindar a Delta e Carlinhos Cachoeira. 

Governo do PT e a gestão do malfeito

Governo do PT e a convivência com o malfeito

Governo do PT e a convivência com o malfeito

Fonte: artigo de Sérgio Guerra, presidente do PSDB nacional – O Globo

Querem salvar a Delta via BNDES

Uma frase antiga ensina que, na política, para entender de verdade os fatos, é preciso esperar as ondas pararem de bater e analisar a espuma.

O que a espuma do escândalo Cachoeira revela é estarrecedor e ofende a integridade dos brasileiros.

Explico.

Existem na República dois cargos que são os mais importantes na definição de um governo, seja pelo seu caráter simbólico ou pelo que significam na realidade: o do ministro da Justiça e o do presidente do Banco Central. Cabem a esses dois cargos, mais do que a qualquer outro, zelar pela Justiça e pelos interesses maiores do país, manifestados nas decisões econômicas que afetam todos os brasileiros. São, portanto, cargos cujo exercício é indissociável da ética.

É, portanto, com perplexidade que os brasileiros são informados pela imprensa que o ex-ministro da Justiça do governo Lula, Márcio Thomas Bastos, se transformou, nada mais, nada menos, do que em advogado de defesa de Cachoeira pela bagatela, publicada, de 13 milhões de reais.

Não fosse essa aberração suficiente, o país é surpreendido com a revelação de que o ex-presidente do Banco Central, também no governo do PT, será o novo presidente da construtora Delta. E isso, numa operação absolutamente atípica, já que a imprensa revela que a holding que comandará a Delta assumirá seu controle sem fazer nenhum aporte financeiro.

Seria abusar muito da ingenuidade dos brasileiros acreditar que os dois teriam aceitado essas funções, sem antes consultar o governo federal e os líderes do PT, já que as biografias e credenciais no mercado de ambos estão certamente vinculadas às suas antigas funções no governo petista.

Mas se alguém ainda acreditasse – e antes que o governo diga que não tem como interferir na atuação profissional de ninguém -, a pá de cal na boa-fé foi dada com a informação divulgada de que a empresa que vai assumir a construtora Delta tem, na verdade, como maior acionista o BNDES. Em outras palavras, o dinheiro público dos brasileiros está sendo usado para salvar a construtora.

E confirmando a tese de que tudo que é ruim pode piorar, um dos donos da empresa controladora afirma em alto e bom tom que o governo federal foi previamente consultado e apoiou essa transação tapa-buraco porque “não quer que a construtora quebre”. E arremata: “Imagina que o doutor Henrique Meirelles [ex-presidente do Banco Central e presidente do Conselho de Administração da holding J&F] vai fazer um negócio que o governo não quer! 99% da carteira da Delta é com o governo federal, estadual e municipal.”

O tabuleiro de xadrez se fecha com a lembrança de que, após contratar José Dirceu como consultor, a Delta teve seus contratos com o governo federal ampliados de forma extraordinária.

A pergunta que se impõe é: quais são os verdadeiros elos que existem entre o PT e Cachoeira, que fazem com que alguns dos principais rostos do governo petista estendam a mão de forma tão urgente ao contraventor e à empresa acusada de manter relações ilícitas com ele? Como pode o governo federal se mobilizar – e mobilizar recursos públicos que tanta falta fazem em outras áreas da vida nacional – para salvar uma empresa acusada de superfaturamento e danos ao erário? Por que tanto interesse em ajudar Cachoeira e a Delta?

O que está se passando diante de nossos olhos e o país ainda não enxergou?

Tudo indica que existe um escândalo ainda maior dentro do escândalo gigantesco que já conhecemos.

SÉRGIO GUERRA é presidente nacional do PSDB.

Censura do PT: governo quer calar a imprensa

Censura do PT:  ala governista da CPI do Cachoeira direciona ataques à imprensa. Presidente do PT diz que objetivo é botar o cabresto nos meios de comunicação.

Fonte:  artigo ITV

Censura do PT

Imprensa no alvo da CPI

Censura do PT: Imprensa no alvo da CPI

Censura do PT  – A parcela governista da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as relações de Carlinhos Cachoeira com o submundo da política elegeu seu primeiro e favorito alvo: a imprensa. A estratégia equivale a culpar o mensageiro pelo conteúdo indigesto da notícia. É a velha obsessão do PT por calar seus críticos.

No primeiro depoimento colhido pela CPI, o principal assunto, segundo mostram os jornais de hoje, não foram as ligações entre a contravenção e o desvio de recursos públicos, como seria de se esperar. A base governista no Congresso lançou-se mesmo foi na jugular dos meios de comunicação.

Quem comanda o ataque são a bancada do PT e o ex-presidente Fernando Collor, que 20 anos atrás sofreu processo de impeachment e foi afastado do cargo por suspeita de corrupção. A aliança entre aquela e este, que seria impensável no passado, hoje rola soltinha no Congresso, irmanada no espírito predador que ambos demonstram ter em comum.

Com a CPI fortemente blindada pelo governo, seu comando tem feito de tudo para torná-la o menos transparente possível. O acesso a documentos é cerceado, controlado e filmado, como se criminosa fosse a investigação e não os ilícitos que se investiga. Até mesmo os depoimentos – como o do delegado da PF Raul de Souza, ontem – são feitos a audiências restritas.

O PT, que no passado viveu, abjetamente, da violação alheia, hoje se apressa a erigir muros em torno das atividades de um criminoso preso por ter lesado o patrimônio público em milhões – quiçá bilhões – de reais. Mas o melhor desinfetante para lambanças desta natureza continua sendo a luz do sol, não as sombras.

A atitude firme da imprensa foi decisiva para revelar e bloquear assaltos ao interesse público nos últimos anos. Se o que ela desnudou mostrou-se até agora verdadeiro, por que colocá-la no banco de réus? Será porque os meios de comunicação atrapalham e incomodam um projeto de dominação política de longa duração?

Fato é que a investida liberticida dos petistas no Congresso não é ato isolado. Está articulada com um desejo mais amplo do partido de Dilma e José Dirceu de silenciar os opositores do regime. Em recentes e reiteradas declarações, Rui Falcão, presidente do PT, não tem dado margem a dúvidas: o objetivo é botar o cabresto nos meios de comunicação.

Na última sexta-feira, ele voltou à carga, num encontro com a militância petista na Grande São Paulo. “(A mídia) é um poder que contrasta com o nosso governo desde a subida do Lula. Esse poder nós temos de enfrentar”, disse Falcão, logo após anunciar que, em breve, o governo Dilma pretende apresentar a proposta de um marco para regular os meios de comunicação.

A esta proposta, acalentada desde os primórdios do primeiro governo Lula, o PT dá o pomposo nome de “controle social da mídia“. Trata-se, na realidade, de um eufemismo para o que não passa, simples e objetivamente, de censura. Como o governo controla os chamados “movimentos sociais“, o círculo se fecha: o que se pretende é o controle dos meios de comunicação pelo governo.

Falcão, assim como boa parte da militância e dos líderes do PT, tem outra ideia fixa na cabeça: turvar a percepção da opinião pública sobre o mensalão, o maior escândalo de desvio de dinheiro público para compra de apoio parlamentar da história brasileira. O sonho dos petistas é transformar a CPI no instrumento desta vingança.

Boa parte do PT e de quem hoje está no governo federal comunga do apreço aos velhos regimes totalitários que, no século passado, trucidaram a liberdade em nome de uma ideologia de bem-estar comum que só serviu para privilegiar uns poucos. É este modelo que está na raiz da ojeriza do partido a instituições que vivem da transparência.

Não é só a imprensa que o PT detesta. Os partidários de Lula, Dilma e José Dirceu também têm horror a órgãos que têm obrigação constitucional de fiscalizar, controlar e zelar pelo patrimônio público. Quem não se lembra da ira do ex-presidente contra o Tribunal de Contas, que teimava em reprovar a reiterada malversação de recursos do contribuinte na gestão passada?

Seja na CPI, no julgamento do mensalão ou na investida contra a imprensa, o que está em jogo é o desejo hegemônico do PT. Mas esta farsa eles não vão conseguir perpetrar. À sociedade brasileira interessa mais, e não menos, liberdade: esta é a batalha que vale a pena ser travada, dia após dia.

Link do post: Censura do PT 

CPI do Cachoeira: PT não blinda e Delta é investigada

CPI do Cachoeira: ficou decidido nesta que Cachoeira vai prestar depoimento à CPI no dia 15. CPI também aprovou 51 requerimentos.

Fonte: João Domingos e Eugênia Lopes – O Estado de S. Paulo

CPI do Cachoeira

Blindagem governista cai na CPI, e Delta será investigada em todo o País

Relator tenta restringir foco às relações da empreiteira, mas apuração deve abranger obras federais

BRASÍLIA – A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira furou nesta quarta-feira, 2, a blindagem montada pelo PT para proteger o governo federal e decidiu investigar as ligações da Delta Construções S.A. com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, em todo o Brasil, e não somente na Região Centro-Oeste, como havia sido proposto pelo relator Odair Cunha (PT-MG). A CPI determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Cachoeira a partir de 1.º de janeiro de 2002.

No entanto, a posição branda do relator foi seguida quando o foco passou a ser a relação de governadores com o esquema investigado pela Polícia Federal. Nos casos de Marconi Perillo (PSDB-GO), Agnelo Queiroz (PT-DF) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ), a CPI nada decidiu sobre eles.

A Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que investigou e desbaratou o esquema de Carlinhos Cachoeira, gravou conversas em que aparecem os nomes de Agnelo e Perillo. Quanto a Cabral, os parlamentares de oposição desejam convocá-lo por causa da ligação com o empresário Fernando Cavendish, ex-diretor da Delta.

Senador. Também ficou decidido nesta quarta-feira que Cachoeira vai prestar depoimento à CPI no dia 15. O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) vai depor no dia 31. Já o ex-diretor da Delta no Centro-Oeste Cláudio Abreu será ouvido pela CPI do Cachoeira no dia 29. Os arapongas Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, e Jairo Martins, vão depor no dia 24. José Olímpio de Queiroga Neto, Gleyb Ferreira da Cruz, Geovani Pereira da Silva, Wladimir Garcêz e Lenine Araújo de Souza, integrantes do esquema de Cachoeira, vão prestar depoimento no dia 22.

Ao todo, a CPI aprovou 51 requerimentos. Um plano de trabalho apresentado por Odair Cunha prevê que a situação dos governadores só deverá ser examinada a partir de junho. Cunha e a base do governo entenderam que não têm condições técnicas para convocá-los agora. Os partidos de oposição acabaram concordando com eles.

Caso os exames dos documentos das Operações Vegas e Monte Carlo – as duas que investigaram as ligações de Cachoeira com agentes públicos e privados – mostrem o comprometimento dos governadores, serão apresentados novos requerimentos. A intenção da oposição era convocar Cabral e Agnelo. O governo, de seu lado, queria ouvir o tucano Perillo.

Delegados. Ficou decidido ainda pela CPI do Cachoeira que os delegados Raul Alexandre Marques Souza e Matheus Mello Rodrigues e os procuradores da República Daniel de Rezende Salgado e Lea Batista de Oliveira, responsáveis pela operações Vegas e Monte Carlo, serão convidados a comparecer à CPI na semana que vem, para sessões reservadas nos dias 8 e 10. A princípio, eles deveriam conversar com os parlamentares da CPI numa sessão aberta.

Mas a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) e o deputado Luís Pitiman (PMDB-DF) pediram que fossem ouvidos secretamente. Argumentaram que os advogados de Cachoeira e de outros envolvidos com o esquema do contraventor ouviriam tudo e depois contariam para seus clientes, o que poderia atrapalhar os planos de investigação da CPI.

Na opinião do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), a pressão dos partidos de oposição, que contaram com o apoio de partidos da base, como o PDT, o PMDB e o PCdoB, possibilitaram mudar o plano de trabalho do relator Odair Cunha, tirando o foco de investigação da Delta somente no Centro-Oeste, e levando-o para todo o País.

A Delta é a empresa que mais tem obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). De 2007 até agora ela recebeu R$ 4,13 bilhões do governo federal. Pressionado, restou a Cunha admitir que não havia como manter as investigações apenas no Centro-Oeste. “Vamos ver o papel da Delta na organização criminosa. Há elementos contundentes e suspeitas de que Cavendish seria sócio oculto do Cachoeira.”

Link da matéria: CPI do Cachoeira

Veja também:
link CPI antecipa depoimento de Carlinhos Cachoeira para 15 de maio 
link Cabral entra na mira da CPI do Cachoeira 
link ESPECIAL – Tudo sobre a CPI do Cachoeira 

Aécio Neves: senador fala sobre CPI de Carlinhos Cachoeira

Senador Aécio Neves: “o que queremos não é perseguir absolutamente ninguém, mas investigar com absoluta clareza”, comentou

Entrevista do senador Aécio Neves (PSDB/MG)

Assuntos: instalação de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar denúncias ligadas a Carlos Cachoeira

Fonte: Assessoria de Imprensa do senador Aécio Neves

Sobre a oposição ter promovido ato para assinar requerimento para instalação de CPMI.

Na verdade, a oposição, em bloco, assina o requerimento pela instalação da CPI e alerta para que haja um acompanhamento da sociedade, da própria imprensa, porque queremos uma investigação ampla. Todos aqueles que tiverem cometido eventuais desvios, sejam eles agentes públicos ou privados, devem responder na CPI. Então, fizemos um ato político, já que a imprensa divulga que setores da base do governo, de alguma forma, vêm recuando da sua intenção de fazer essa investigação. O que esperamos é que não seja uma investigação pontual, uma investigação direcionada para A ou para B. Essa é a razão desse encontro e nossa expectativa é que, mesmo tendo rejeitado durante tanto tempo qualquer iniciativa de CPI por parte da oposição, agora a base permita não apenas a instalação, mas a verdadeira apuração dos fatos.

Não faz parte então da oposição essa operação abafa que tem sido divulgada?

Ao contrário. Até porque ela tem sido creditada à base do governo. Um certo arrependimento de setores da base tem sido noticiado. Da nossa parte, queremos que as investigações ocorram com amplitude e não podemos permitir que a nossa posição minoritária na comissão permita um direcionamento que alguns, de alguma forma, antevêem. Repito, o que queremos não é perseguir absolutamente ninguém, mas investigar com absoluta clareza quem foi, agentes públicos e privados, que cometera ilícitos e esses devem responder por eles, independente de partidos políticos ou até mesmo de serem ou não filiados a partidos políticos.

Senador, o senhor falou em partido. O governador Marconi tem explicações a dar?

Acho que todos que forem citados deverão, com muita serenidade, apresentar as suas explicações. E acreditamos sim que o governador Marconi apresentará suas explicações. Não podemos permitir que haja um direcionamento nessas investigações para esse ou aquele agente público. É importante que elas se detenham nas irregularidades cometidas por esse que é hoje acusado, Carlinhos Cachoeira, e todos aqueles que com ele tiveram relação ilícita. Estamos absolutamente tranquilos e qualquer que seja o resultado contará com a nossa intenção clara de investigar, sem poupar quem quer que seja.

CPI de Carlinos Cachoeira pode provocar estragos no PT

O senador Aécio Neves e outros líderes da oposição conseguiram obter as assinaturas para a instalação da CPI mista de Carlinhos Cachoeira.

No papel, CPI já é realidade

Partidos obtêm número suficiente de assinaturas para investigar atividades de bicheiro

Fonte: O Globo

O senador Aécio Neves e outros líderes da oposição conseguiram obter as assinaturas para a instalação da CPI mista de Carlinhos Cachoeira

Certos de que a CPI mista de Carlinhos Cachoeira vai provocar estragos imprevisíveis no governo, no PT, em outros partidos, nos governos estaduais e podendo até chegar ao ex-presidente Lula, os líderes do PMDB seguraram até o último minuto o apoio do partido. No final, carimbaram a criação da comissão, considerada explosiva e incontrolável, como uma iniciativa exclusiva do PT. Numa cena inusitada na Secretaria Geral da Mesa da Câmara, expoentes do PT, ao lado de líderes de PSDB e DEM – principais partidos de oposição – comemoravam, por volta das 20h30m, o sucesso na contagem de assinaturas coletadas: 272 deputados, 101 a mais do que o mínimo de 171. As assinaturas podem ser retiradas até algumas horas antes da instalação da comissão, sem data ainda prevista.

No Senado, o líder da bancada do PT, Walter Pinheiro (BA), também comemorou as 67 assinaturas de senadores, 40 a mais do que o mínimo necessário no requerimento de criação da CPI. Ainda ontem à noite, outros líderes na Câmara apresentaram novas assinaturas e o requerimento de criação da CPI já contava com apoio de mais de 340 deputados, estabelecendo uma situação inédita: a união de partidos governistas e de oposição em defesa de uma mesma CPI.

A bancada de deputados do PT contribuiu com o maior número de assinaturas: 78 de um total de 85 deputados. Dois petistas, o presidente da Câmara, Marco Maia (RS), e o líder do governo, Arlindo Chinaglia (SP), alegaram impedimento por causa  das funções que  ocupam. Quatro estavam  fora de Brasília  e apenas um,  presente na Câmara,  não quis assinar, o paranaense André Vargas – mais tarde, disse que assinaria.

Foi diante desse cenário de empolgação dos petistas com a CPI do Cachoeira que o PMDB traçou sua estratégia de demarcar  terreno  nessa  disputa,  deixando  claro  que  foi  o  PT  quem  quis  criar  a  CPI.  Para marcar  ainda  mais o distanciamento do partido com o  assunto, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP),  comunicou que licenciar por 15 dias, em função de doença, que o levou a ser internado em São Paulo para desobstrução de uma artéria.

Os líderes do PMDB contam que em reuniões alertaram o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), sobre os riscos de uma CPI. Ele, por sua vez, repetiu, que da, presidente Dilma Rousseff, ouviu que não haveria nenhuma orientação. Ontem, antes de liberar a bancada, o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), voltou a se reunir com Romero Jucá (PMDB-RR), Eunício Oliveira (PMDB-CE) e Braga, que manteve a posição do Planalto.

– Não botem no colo do PMDB uma responsabilidade que não é dele. O PMDB não é protagonista disso e não inventou essa CPI – disse Eunício.

– Na reunião com Sarney e os líderes, alertei que essa seria a CPI mais sangrenta da história do Congresso. Por que vamos puxar um  problema que é da Justiça  para o Congresso? – emendou  o presidente do PMDB, senador  Waldir Raupp (RO).

Até no PT tem engrossado o coro dos cautelosos, além de Jorge Viana(AC), Delcídio Amaral (MS) e Humberto Costa (PE), que têm se posicionado contra. Um deles lamentou que os líderes do partido estejam levando a ferro e fogo uma vontade do ex-presidente Lula, sem medir as consequências:

– Essa orientação de Lula, incendiando a CPI, foi um grande erro e pode ser uma grande tragédia para o governo e para o PT .

O objetivo da CPI é investigar as relações do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos e empresários. E segundo o líder petista no Senado, o requerimento de criação deve ser protocolado amanhã.

– Da nossa parte não tem recuo nenhum – afirmou Walter Pinheiro.

A oposição, por sua vez, decidiu mostrar que o grupo está determinado a levar adiante a CPI. Em ato no qual participaram deputados e senadores de PSDB, DEM e PPS, foi anunciado que a oposição assinaria, em peso, o requerimento.

– Vamos cobrar para que essa CPI não termine em pizza. Se depender da oposição, vamos apurar doa a quem doer. Somos minoria, mas tudo passa pela contundência dos fatos – disse o líder do DEM, ACM Neto (BA).

– Esperamos que não haja nenhum tipo de manobra para impedir a investigação – emendou o deputado Bruno Araújo (PE) , líder do PSDB.