Choque de gestão e a modernização das estradas mineiras

Choque de gestão: Proacesso beneficiou cerca de 1,3 milhão de pessoas. Governo de Minas investiu cerca de R$ 4 bilhões para pavimentar mais de 200 trechos.

Choque de Gestão: gestão pública moderna

Fonte: Jogo do Poder

Choque de Gestão: Aécio Neves e as rodovias em Minas Gerais

 Choque de gestão modernizou estradas de Minas

Modelo inovador de gestão públicacriado por Aécio Neves, o Choque de Gestão, possibilitou uma verdadeira revolução viária em Minas Gerais

Choque de Gestão, modelo inovador de gestão pública criado por Aécio Neves em 2003, foi muito mais além do que alterar a lógica nos gabinetes, nas planilhas e na burocracia das repartições do Governo do Estado de Minas Gerais. Ele possibilitou uma revolução nos indicadores sociais mineiros e na modernização da infraestrutura, como foi o caso das rodovias estaduais. Conquistas passíveis de melhoras, mas impressionantes e inéditas pelo curto período de tempo em que os novos métodos de gestão foram colocados em prática.

Como o próprio ex-governador Aécio Neves explicava, o Choque de Gestão nunca “teve o fim em si mesmo”. Ele não era o objetivo, mas sim o instrumento para se alcançar um objetivo maior que passava pela meta de transformar Minas Gerais no melhor estado brasileiro para se viver.

Por isso, após arrumar a casa – máquina enxuta, custos operacionais diminuídos, salários do governador e vice-governador reduzidos e fim do déficit orçamentário crônico -, cada área do Governo de Minas passou a ter uma meta ousada a cumprir: na saúde, reduzir as taxas de mortalidade infantil e materna; na educação, colocar os alunos mineiros entre os três melhores do país em nível de aprendizado; na infraestrutura, dotar mais de 200 municípios de ligação por estadas pavimentadas, o que não era realidade até 2003.

No que tange às estradas estaduais, o Choque de Gestão de Aécio Neves propôs o programa Proacesso, já que 26% das cidades mineiras, principalmente as de baixo Índice de Desenvolvimento humano (IDH), não possuíam ligação asfáltica em 2003. De 2004 a 2012, o Governo de Minas investiu cerca de R$ 4 bilhões para pavimentar mais de 200 trechos.

programa de modernização das estradas estaduais, proposto por Aécio Neves dentro do Choque de Gestão, já beneficiou cerca de 1,3 milhão de pessoas em todas as regiões de Minas Gerais. São pessoas que enfrentavam estradas de terra e enlameadas para chegarem a um hospital, para escoarem as seus produtos agropecuários ou chegarem às escolas e faculdades.

E voltando à premissa do Choque de Gestão, o programa não se encerra em si próprio e não admite uma visão de gestão pública moderna com ações apenas de curto ou médio prazo. Por isso, resolvida a questão das ligações asfálticas, foi pensado, planejado e colocado em ação uma segunda etapa da melhoria da infraestrutura. Assim, ao final do Governo Aécio Neves e início do Governo Antonio Anastasia foi criado o programa Caminhos de Minas.

Neste novo programa, pensando em 2010 dentro da lógica do Choque de Gestão, o Governo de Minas irá pavimentar mais 7.700 quilômetros de estradas estaduais secundárias, aquelas fazem ligações entre municípios próximos, mas não são o principal canal de tráfego. Serão 302 cidades mineiras beneficiadas.

As rodovias estaduais mineiras e a visão de governo sobre a função delas é mais um aspecto que deve ser analisado com maior profundidade quando se discute o Choque de Gestão de Aécio Neves.

Marcus Pestana: MP 579 e o curto-circuito político

Marcus Pestana: “Ação do Governo é mistura de irresponsabilidade, demagogia, autoritarismo, incompetência e manipulação da verdade”.

Marcus Pestana: MP do Setor Elétrico

Fonte: O Globo

Curto-circuito político

Marcus Pestana

O rebaixamento do chamado Custo Brasil é objetivo comum de todos aqueles que identificam a melhoria do ambiente de competitividade como elemento essencial na conquista de um crescimento econômico mais vigoroso e sustentado.

Depois de sinalizar uma presidência mais atenta à “liturgia do cargo”; após posar de faxineira da corrupção, imagem transformada em pó pelo “Rosegate”; depois de tentar reafirmar a figura da “gerentona” mais preocupada com gestão e resultados, o que não resistiu ao baixo desempenho do PAC ou ao PIB raquítico de 2012; Dilma nos patrocina um fim de ano recheado de trapalhadas em torno dos royalties do petróleo e do novo marco legal do setor elétrico.

A máscara caiu. Como inadvertidamente confessou a ministra encarregada da articulação política do governo: “Dilma nunca desceu do palanque.” E isto ficou claro na desastrosa condução da MP 579 do setor elétrico.

A ação do Governo, neste caso, é uma mistura explosiva de irresponsabilidade, demagogia, autoritarismo, incompetência e manipulação da verdade.

Numa única tacada, o Governo federal conseguiu que o conjunto do setor elétrico perdesse mais de 30 bilhões de reais em valor de mercado; que movimentos especulativos na bolsa promovessem brutais transferências de renda; que investidores ficassem assustados e reavaliassem sua intenção de investir no Brasil, comprometendo o programa de concessões e parcerias tão necessário; que se cristalizasse a percepção de que o Governo não respeita a economia de mercado, acionistas minoritários, CVM, nem nada. Haja irresponsabilidade!

Estamos fazendo gols contra ao exalar insegurança jurídica, brincar com a estabilidade regulatória e zombar da dinâmica de mercado. O desabastecimento e os apagões serão o preço

O lado demagógico transparece quando se tenta esconder a incapacidade política do governo atrás de uma falsa contradição entre os que supostamente estariam defendendo as empresas e aqueles que estariam ao lado do consumidor. Como distribuir ovos de ouro, matando a galinha dos ovos de ouro? Já disse certa vez JK: “Energia cara é a que não se tem.”

O autoritarismo fica patente na falta de diálogo com os governadores, com as direções de operadoras de energia, com o Congresso e com a sociedade. O próprio uso de uma MP é absurdo. O Governo está transformando em rotina a mania de acenar com chapéu alheio, de forma unilateral, no mais apurado estilo do “presidencialismo imperial de cooptação”. Porque antes não reverteu a incidência do PIS e do Cofins ou eliminou encargos como RGR, CDE e CCC. É mais fácil transferir o ônus para os estados já tão estrangulados.

A incompetência vem à tona na construção de um nebuloso e preocupante horizonte de médio e longo prazo em setores essenciais. No crescimento, nosso voo de galinha se deve principalmente à baixa taxa de investimento (18,7% do PIB). Precisamos de investimentos privados, já que a poupança pública é limitada. Mas estamos fazendo gols contra ao exalar insegurança jurídica, brincar com a estabilidade regulatória e zombar da dinâmica de mercado. O desabastecimento e os apagões serão o preço. E quem alerta é o insuspeito professor Luiz Pinguelli Rosa.

Por último, a mentira como método. Não esclarecer que o cidadão-contribuinte vai ter que subsidiar o cidadão-consumidor de energia ou tentar partidarizar a questão aproveitando-se de uma mera coincidência de todo o potencial hidrelétrico estar concentrados em Minas, São Paulo e Paraná, eventualmente governados por tucanos, não é boa prática. O PSDB quer a queda das tarifas de energia. Mas deseja também atrair investimentos, fortalecer a capacidade produtiva, respeitar a Federação, a sociedade e o mercado, defender a democracia e o diálogo como caminho e a verdade como valor.

O maior ativo de um governo é sua credibilidade. A confiança em Dilma sai gravemente arranhada neste episódio.

Marcus Pestana é deputado federal (PSDB-MG)

Aécio e a MP do Setor Elétrico: Governo deveria cortar tributos da conta

Aécio: MP setor elétrico – Para senador em vez de inviabilizar investimentos, Governo do PT deveria cortar taxas e tributos.

Aécio: MP 579 e a Gestão Deficiente

Fonte: Jogo do Poder

Aécio Neves afirma que governo já poderia ter reduzido as contas de luz cortando tributos

“O ministro vem a esta Comissão em um dia histórico. Ontem, a ação da Eletrobras teve a maior queda diária em 15 anos”, afirmou o senador Aécio

 Aécio: Governo deveria cortar tributos da conta de luz

Aécio: Governo deveria cortar tributos da conta de luz

O senador Aécio Neves (PSDB/MG) afirmou, nesta terça-feira (20/11), que o governo federal já poderia ter reduzido o valor da conta de luz se cortasse impostos e outros tributos federais embutidos nela. Na avaliação do senador, essa seria uma forma de garantir maior competitividade para a indústria e aliviar o orçamento das famílias brasileiras sem causar prejuízos que podem inviabilizar investimentos essenciais das empresas de energia para o futuro.

As declarações foram feitas durante audiência pública com o ministro em exercício de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, para debater as condições atuais do sistema elétrico, tendo em vista os recentes apagões ocorridos no Brasil.

““Todos queremos que a conta do consumidor, seja familiar, seja das indústrias, possa diminuir, mas sem a quebra de contratos, sem colocar em risco o sistema que é da população brasileira. Bastaria que o governo pudesse reduzir ou retirar a PIS/Cofins das contas de luz e talvez tivéssemos aí um impacto de mais de 5% no resultado final que o governo busca. Não seria muito mais plausível retirar da conta outras taxas e impostos, como a Taxa de Pesquisa e Desenvolvimento, a Taxa de Fiscalização da Aneel? A própria Conta de Desenvolvimento Energético, que caiu em 75%, quem sabe zerá-la?””, disse o senador Aécio.

O senador reiterou que a preocupação com a redução das tarifas não é exclusividade de um partido político. Aécio Neves citou como exemplo medidas já tomadas por governos estaduais ao longo dos últimos anos, como a redução de ICMS para consumidores de baixa renda.

“”Não há nenhum brasileiro, com o mínimo de sensibilidade, que não julgue necessário fazer um esforço para a diminuição nas contas de luz. Nós, mais do que concordarmos com isso, sempre fizemos. Em Minas Gerais, as famílias que consomem até 90 kilowatts mensais são isentas do pagamento do ICMS, que é o único dos impostos estaduais. Isso significa que metade das famílias mineiras não paga o ICMS na conta de luz. São Paulo faz isso, inúmeros outros estados fazem isso. Faço apenas esse registro para dizer que não é monopólio de um partido, ou de um grupo político, a preocupação com as tarifas””, disse Aécio.

Respeito ao Congresso

Aécio Neves criticou ainda que um setor tão importante para a economia brasileira e para o bem estar da população, como o da energia elétrica, esteja sendo tratado sem as discussões necessárias para o aprimoramento da MP. Para o senador, tem faltado respeito do Executivo pelo trabalho do Congresso.

“”O governo precisa aprender a respeitar a autonomia do Congresso Nacional, essencial para o equilíbrio das forças democráticas. Não podemos aceitar passivamente a definição da data de quatro de dezembro para assinatura dos contratos das empresas com o governo. O Congresso ainda está discutindo a questão e aprimoramentos podem ser feitos na lei. O sistema brasileiro, tanto de geração, quanto de transmissão e de distribuição no Brasil é extremamente complexo, portanto, o governo precisa avaliar adequadamente e sem pressa o impacto de suas medidas na vida e na sobrevivência das empresas do seto””, observou Aécio.

Eletrobrás

O senador Aécio Neves citou a queda das ações da Eletrobrás como exemplo das graves consequências que a MP já vem causando ao setor elétrico. O senador lembrou que isso poderá inviabilizar investimentos importantes que a empresa já anunciara para assegurar maior produção de energia ao país.

“”O ministro vem a esta Comissão em um dia histórico. Ontem, a ação da Eletrobras teve a maior queda diária em 15 anos e atingiu o menor valor nominal em 10 anos. Algo inimaginável em um país que julgava ter um sistema elétrico estável e, de alguma forma, inspirando credibilidade aos investidores. Calcula-se investimentos de 10 bilhões por ano necessários à continuidade da construção das hidrelétricas de Belo Monte, de Jirau, de Teles Pires, além de vários outros investimentos em transmissão””, disse o senador Aécio.

Aécio Neves também alertou para os impactos que a falta de diálogo do governo na tramitação da MP 579 pode acarretar em outros setores, como já acontece com a Petrobras.

“”Essa decisão do governo traz impactos que não se restringem apenas à Eletrobras e ao setor elétrico. Já contamina, por exemplo, a Petrobras. Ontem, a UBS removeu a Petrobras de sua carteira sugerida na categoria de mercados emergentes globais. Exatamente pela repercussão das medidas tomadas, a meu ver, sem ampla discussão, sem uma audiência mais ampla com o setor, com os interessados, com os estados e com as próprias empresas. Portanto, essa insegurança em cascata é progressiva e pode atingir ainda outros setores importantes da economia brasileira””, afirmou o senador Aécio Neves.

Link da matéria: http://www.jogodopoder.com/blog/aecio-neves-politica/aecio-governo-deveria-cortar-tributos-da-conta-de-luz/#ixzz2CusbyPpH

Anastasia critica MP do setor elétrico e comenta perdas

MP do setor elétrico: Anastasia (PSDB), afirmou que com a extinção e a desoneração de tarifas Minas perde R$ 500 mi com ICMS.

MP do setor elétrico: Governo Dilma quer impor perdas

Fonte: Valor Econômico

SP ameaça devolver concessão da Cesp

 MP 579 gera protesto de governadores

MP do setor elétrico: José Anil ameça entregar a Cesp, já Anastasia(PSDB), afirmou que com a extinção e a desoneração de tarifas Minas perde R$ 500 mi com ICMS.

Governadores criticaram ontem, durante audiência pública no Senado, o fato de não terem sido consultados pelo governo federal sobre a prorrogação das concessões do setor elétrico e as consequências da redução das tarifas de energia para a receita dos Estados. As mudanças foram feitas pela Medida Provisória (MP) 579, em análise por uma comissão mista no Congresso.

Já o secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal, disse ao Valor que, mantidas as atuais condições da MP 579, a estatal paulista Cesp não terá outra saída a não ser a devolução das concessões. “É isso. Não tem outro jeito. O rombo na receita é bilionário, não temos como assumir isso”, disse.

O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), afirmou que com a extinção e a desoneração de tarifas que incidem sobre a conta de luz o Estado perderá cerca de 10% do total que arrecada com o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), cuja base de cálculo é afetada por essas taxas. “Essa perda real é de fato expressiva. Perderemos quase R$ 500 milhões com essa redução.”

Anastasia ponderou, no entanto, que a queda na arrecadação do ICMS não é o ponto mais crítico da MP, pois avalia que “o governo terá que pensar em medida compensatória“. Segundo ele, o que causa “dúvida e temeridade” é o fato de as concessionárias de transmissão e geração terem que decidir, até 4 de dezembro, se querem prorrogar o contrato com o governo. O Congresso, por sua vez, tem até 18 de dezembro para votar a MP 579.

“Nós estamos sendo convidados [a decidir sobre a prorrogação das concessões] diante de circunstâncias que não são definitivas, que podem ser alteradas pelo próprio Congresso, que ainda vai votar essa medida, e eventualmente pela presidente da República“, afirmou o governo de Minas.

O governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), também estima perda de arrecadação do ICMS de 10%. Ele destacou que no momento há diversas medidas em discussão que devem resultar na redução de receita para os Estados, como a revisão dos critérios do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e a unificação do ICMS interestadual.

“Não dá mais para se discutir redução de receita, aumento de despesas para os Estados, sem que os Estados possam efetivamente participar dessa discussão”, afirmou Jatene.

O vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), estimou que o Estado perderá R$ 460 milhões em receitas de ICMS com a redução das contas de luz em 20,2%, em média, conforme o plano de barateamento das tarifas de energiaelétrica anunciado pela presidente Dilma Rousseff, em setembro. “É uma tragédia para qualquer Estado brasileiro”, disse Pezão.

Pezão lembrou que o Rio já corre o risco de arcar com outra perda, referente aos royalties do petróleo, cujo projeto de lei que trata de sua redistribuição foi recém-aprovado pela Câmara dos Deputados: “Nesse caso é a falência total do Estado.”

Presidente do Fórum de Secretários Estaduais de Energia, José Aníbal disse que a renovação das concessões é “muito difícil” nos termos apresentados pelo governo. Ele criticou a indenização de aproximadamente R$ 1 bilhão feita pelo governo em relação aos ativos não amortizados. Disse que a própria Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apresentou uma conta de R$ 3,4 bilhões, quando o valor estimado pela Cesp é de R$ 7,8 bilhões.

MP do setor elétrico: Governo Dilma quer impor perdas – Link da matéria: http://www.valor.com.br/politica/2903720/sp-ameaca-devolver-concessao-da-cesp

Mineração: Arq.Futuro – o debate sustentável e os impactos sociais

Mineração: Debate sobre os impactos da atividade devem ser discutidos com arquitetos, urbanistas, economistas a ecologistas.

Mineração: Arq.Futuro

Fonte: artigo de FERNANDO SERAPIÃO – O Estado de S.Paulo

Arq.Futuro debate novas formas de estruturar áreas mineradoras

Com o título ‘A Construção da Paisagem’, evento ocorre nesta terça e quarta em BH

 Mineração: Arq.Futuro e o debate sustentável

Mineração: Arq.Futuro – o aclamado e palpável conjunto da Pampulha, obra-prima de Oscar Niemeyer

Das novas torres do World Trade Center em Nova York aos barracos do Grotão na favela de Paraisópolis, em São Paulo: independentemente do tamanho, técnica construtiva ou uso, todas as construções humanas utilizam componentes que dependem da cadeia produtiva da mineração. Por isso, se pensarmos só pelo aspecto de proporcionar o abrigo ao homem, essa atividade econômica é absolutamente vital para a vida humana. Esse o tema do seminário Arq.Futuro que ocorre hoje e amanhã em Belo Horizonte, com o título A Construção da Paisagem.

Aproximando o foco e imaginando uma relação mais direta, podemos dizer que a conexão entre arquitetura e minério está presente no DNA da cultura brasileira. Penso, sobretudo, na ocupação de Minas Gerais: desde o século 18, com o ciclo do ouro, a mineração não só foi o pilar econômico da região, mas também financiou as obras do barroco mineiro. Em outras palavras, o mesmo ouro que gerou divisas foi eternizado nos trabalhos de Aleijadinho e Mestre Atayde. Há muito tempo se conhecem também as turbulências que o fim dessa atividade econômica provoca. A diminuição da produção dos metais preciosos, por exemplo, desaguou na Inconfidência Mineira.

Após o declínio econômico, a atividade extrativa voltou a participar ativamente da economia mineira no início do século 20, com o incremento da siderurgia. Trata-se de outro ciclo vital de negócios que perpetuou (ao menos) duas obras que compõem o imaginário da cultura arquitetônica nacional: o aclamado e palpável conjunto da Pampulha, obra-prima de Oscar Niemeyer, e a desconhecida e impalpável Vila Monlevade, proposta de Lúcio Costa que não deixou o papel, mas é considerada por muitos críticos como a manifestação inaugural de um modo autônomo de pensar a arquitetura moderna no Brasil.

A Vila Monlevade do urbanista que depois idealizou Brasília foi sua resposta para um concurso de arquitetura promovido pela Belgo-Mineira. Ele não ganhou a disputa – não foi sequer classificado -, mas suas ideias permaneceram. Elas nos dizem muito em relação à saudável ocupação de um novo território: no caso, uma vila operária em Sabará, com moradias, posto médico, clube, escola, igreja e armazém.

Uma das diretrizes de Costa foi criar “uma implantação melhor ajustada às particularidades topográficas locais”. Sustentável antes de existir essa palavra, ele propunha interferir com muito cuidado na natureza, pois entendia que essa era a melhor maneira de ocupar a paisagem. Nesse sentido, há um contraponto direto entre a violência necessária para extrair o minério – que garante a vida humana – com a situação ideal para o cotidiano do homem, que deve tratar a natureza com delicadeza.

Mas se o projeto de Costa não foi adiante, existem bons exemplos implantados de novas cidade ou vilas construídas para atender os trabalhadores da atividade mineradora. Um exemplo pertinente é o conjunto habitacional da CBMM, criado em 1979 em Araxá. O desenho do escritório paulistano Rino Levi (de autoria do uruguaio Carlos Arcos) segue a mesma lógica de Lúcio Costa: modifica pouco a paisagem construindo casas para os trabalhadores da empresa de nióbio, equilibrando-as nas curvas de nível da topografia natural.

No entanto, o caso mais expressivo no Brasil é a Vila Serra do Navio, no Amapá, edificada na década de 1950 com projeto de Oswaldo Bratke. Trata-se de uma cidade inteira, com capacidade para quase 4 mil habitantes, materializada no meio da selva amazônica para abrigar os trabalhadores da empresa de origem mineira Icome, que ganhou a concorrência para extrair manganês. Em sua obra-prima, Bratke criou um núcleo urbano autossuficiente, uma espécie de ilha no meio da selva, que proporcionou o bem-estar das pessoas envolvidas na mineração.

Botânicos. As casas não tinham muros e na área central da cidade o pedestre era protegido do sol e da chuva por um sequência de marquises. O arquiteto desenhou tudo – das casas de madeira às camas dos funcionários, das luminárias à escola – e se envolveu até mesmo em pesquisas com botânicos, que criaram um cinturão de árvores exóticas em volta da cidade para minimizar o ataque de insetos. Tombado pelo órgão de patrimônio federal por sua importância artística, a cidade atualmente definha, pois o inevitável ocorreu com a matriz econômica: a produção secou.

Além de ajudar a proporcionar bem-estar durante o período produtivo, arquitetos e urbanistas podem colaborar para preparar as cidades para o dramático período pós-produção. Em primeiro lugar, ajudando a tratar as cicatrizes expostas. Em todo o País, infelizmente, são poucas as obras relevantes que tratam de áreas mineradas – vale lembrar duas de pequena escala e em zona urbana: a Universidade Livre do Meio Ambiente e a Ópera do Arame, obras interessantíssimas em Curitiba criadas pelo arquiteto Domingos Bongestabs.

Em segundo lugar, os projetistas podem ajudar a definir uma nova vocação para as regiões mineradoras. Todos sabem que os recursos são finitos e em Minas Gerais, por exemplo, a mineração corresponde a 5% do PIB: o que fazer quando tudo isso acabar? Na Bahia, por exemplo, o projeto do Centro de Referência de Igatu foi imaginado pelo escritório paulista Brasil Arquitetura. A ideia é ajudar a transformar uma antiga área de extração de diamantes mudando o foco para o turismoecológico e cultural. O projeto está pronto e busca financiamento para sua implantação.

Inhotim. É sempre melhor planejar a nova vocação antes do fim do minério. Nesse ponto, é significativo o exemplo de Bernardo Paz e Inhotim: sem auxílio governamental significativo, parte dos recursos advindos da atividade mineradora está financiando a construção de um grande complexo artístico e botânico que ajuda a região de Brumadinho a ter outro foco. Ali, equipes de arquitetos jovens – como os mineiros dos Arquitetos Associados e Rizoma – estão colaborando para colocar de pé essa proposta revolucionária.

Outra iniciativa positiva é o financiamento que a Vale do Rio Doce fará, através de uma contrapartida social, em um campus inovador de uma universidade federal, para 10 mil alunos, criado por Gustavo Penna. Assim, a mineradora irá auxiliar na capacitação dos moradores de Itabira, região em que atua.

Contudo, esse assunto não é exclusivo de arquitetos e urbanistas: envolve outros profissionais, de economistas a ecologistas. É um debate que deve envolver todos – empresários da mineração, políticos e, sobretudo, a sociedade. Só assim encontraremos caminhos para tratar as cicatrizes que, de alguma forma, nos ajudaram a nos manter vivos.

FERNANDO SERAPIÃO é crítico de arquitetura e curador da Arq.Futuro.

Mineração: Arq.Futuro

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Minas em transformação

Arq.Futuro debate, em BH, projetos para áreas carentes de renovação
CAMILA MOLINA, ENVIADA ESPECIAL, BELO HORIZONTE – O Estado de S.Paulo

Minas Gerais tem uma questão particular e problemática no que se refere à arquitetura e ao urbanismo: ao mesmo tempo em que a mineração traz riqueza para o Estado mineiro – fato historicamente fundamental para a construção de algumas cidades que nasceram ao redor dessa prática -, o fim natural da atividade extrativa mineradora deixa seus locais, muitas vezes, como que à míngua, até em degradação. Uma pergunta surge: como reutilizar áreas de minas desativadas? Tema “difícil e político”, define o arquiteto uruguaio Rafael Viñoly, que integra questões como mineração, transformação de áreas, sustentabilidade e criação na paisagem, foi esse o foco das discussões da 4.ª edição do Arq.Futuro, realizado anteontem e ontem em Belo Horizonte.

Convidados internacionais, como os arquitetos Viñoly, o italiano Marco Casamonti e o japonês Shohei Shigematsu; e brasileiros como Maria Elisa Costa, filha do arquiteto e urbanista Lúcio Costa, e Flávio Carsalade, fizeram palestras e participaram de debates no Arq.Futuro Belo Horizonte, realizado em auditório da Escola Guignard. Já a experiência de estar no prédio em aço, vidro e concreto projetado por Gustavo Penna, também participante do evento, foi interessante – a construção no bairro de Mangabeiras da capital mineira, que tem em seu nome a homenagem a um dos principais pintores brasileiros e ao seu papel histórico na cidade, fica na base da Serra do Curral e é uma obra de destaque, mas hoje, um pouco abandonada.

“Em Minas Gerais e no mundo, o problema mineral é um problema ético, o de tirar e devolver. Melhor fazer essa reflexão em um local que tenha essa ferida aberta”, afirma Marco Casamonti. Em sua participação no Arq.Futuro, o italiano, com escritórios na Itália e na China – São Paulo também tem sido sua mirada -, destacou o projeto da Vinícola Antinori em San Casciano Val di Pesa, em Florença. Obra privada, de 75 milhões, é uma construção “integrada à natureza” e totalmente subterrânea, sob a vinha em uma colina – até o frio da terra é utilizado como fonte natural. “Arquitetura sustentável é tema de equilíbrio e os clientes devem entender que respeitar a natureza é uma operação de marketing extraordinária”, diz Casamonti, defensor da não separação entre público e privado. “É um pensamento moderno (a separação), uma visão ultrapassada, de antes do comunismo.”

Inversão. Mas no caso de Minas Gerais, como afirmou Flávio Carsalade, que foi presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico mineiro, a parceria com o Estado é fundamental para a recuperação da “paisagem cultural” do local afetada pela mineração. ”Inhotim (instituto cultural e museu a céu aberto em Brumadinho) foi criado em cercado de mineração e é um exemplo de reciclagem dessas áreas”, afirmou. Ele citou ainda os geoparques europeus como alternativas, mas como realizá-los, também, em parceria com as mineradoras?

É complexo pensar nesse futuro das minas, que têm “tempo de vida”. “O componente fundamental é entender qual a estrutura da inversão (da mina) e o retorno para o explorador mineiro? Não é difícil, mas deve ter uma maneira de encontrar um acordo entre a indústria e a cidade. Imagino que a implantação deva ser completamente privada, mas é a sobreposição público e privado a parte mais complicada”, opina Rafael Viñoly. Para ele, fundamentalmente, é a “transformação de paradigma de como a sociedade opera” que realmente importa. “A saída é encontrar outro combustível, recriar novas fontes, inventar materiais sustentáveis. O mercado mostrou que não é infalível.”

Viñoly, que se vislumbra com a nanotecnologia e a ciência e cita a criação da internet como um novo paradigma, entra no coro dos que acreditam ser o Brasil o “país do futuro”. Em sua palestra, ele não falou especificamente do problema da mineração – apesar de criar projetos de grande escala, nunca criou uma obra na “escala geográfica”. Viñoly, com escritórios em Nova York, onde vive há mais de 30 anos, e também em Londres e em Abu Dabi, apresentou três obras que considerou exemplos de “renovação”: “por mediação”, a reestruturação do Museu de Arte de Cleveland (EUA), em processo; “por contraste”, a criação, em 2009, do Firstsite Art Center de Colchester, que revitalizou área da cidade; e o teatro Curve de Leicester (ambos trabalhos realizados no Reino Unido).

O arquiteto uruguaio, que criou o complexo Tokio Internacional Forum, em 1996, citou a série de gravuras Caprichos, do pintor espanhol Goya, como um momento em que a arte da representação assume um papel social. E para Viñoly, arquitetura não pode ser moda – você terá de conviver com uma construção e não poderá descartá-la como uma camiseta que ninguém mais usa – ele brinca.

Mineração: Arq.Futuro – link da matéria; http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,minas-em-transformacao,957285,0.htm